Aceitação: vivendo o presente

Aceitação. Essa palavra é poderosa, porém muitas vezes se perde por ser confundida com outras palavras que ganharam significados pejorativos. No campo das emoções, a aceitação muitas vezes se confunde com resignação, passividade, sucumbir, desistir, ter "sangue de barata", "engolir sapo", "fingir-se de morto", e por aí vai. Mas sabe que nem a resignação eu vejo num sentido assim tão negativo? Sempre costumo pensar em resignação como "ressignificar", dar outro tom, perceber as coisas por outro ângulo. Acho que ela se aproxima do que a aceitação positiva pode proporcionar.

Se algo me desagradou no passado, aceitar que "o que foi já foi" é a única alternativa para viver o presente e transformar o que for possível aqui e agora. Se percebo alguma dificuldade em mim, fingir que ela não existe ou fazer birra não vai adiantar nada. Aceitar a realidade é o primeiro passo para se fazer algo a respeito.

Comparar-se ao outro é sempre injusto. Na autocomparação sim, posso perceber meu crescimento, ver como eu era antes e como estou hoje, me propor metas a partir do que sou e de onde estou. Primeiro passo: aceitar-se! Aceitar a minha humanidade, aceitar a humanidade do outro. Essa é uma base importante para os bons relacionamentos.

Se alguém que amo está seguindo por um caminho com o qual não concordo, posso tentar ajudar, alertar, compartilhar minha opinião. Mas sempre chegará um ponto em que eu simplesmente precisarei aceitar que a vida é do outro e que ele faz suas escolhas. A questão é: qual escolha eu farei a partir disso?

Algumas pessoas costumam dizer: "eu não queria que as coisas fossem como são". E aí? O que vai fazer? As coisas são como são ou estão como estão. Se aceito esse ponto de partida, posso me perguntar o que gostaria de transformar e, então, mudar o foco para a ação.

Você percebe que tentando nos afastar da aceitação, por acharmos que esse caminho seria o da covardia, acabamos reforçando em nossos atos os pontos pejorativos que tentávamos evitar? Se não aceito, parto para condutas que me fazem estagnar, dar voltas, me repetir, me afundar em mais do mesmo.

A aceitação nos lança para a realidade. Aí podemos plantar e colher novos frutos, empreender as transformações necessárias para que nossos potenciais se manifestem amplamente na vida.


(Publicado originalmente na Revista Personare)


Por Juliana Garcia
Psicóloga, psicodramatista, escritora, colaboradora da Revista Personare, coordena atividades voltadas para saúde e bem-estar no Espaço Revitalizar em Belo Horizonte-MG.

3 comentários:

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Juliana, a aceitação é o remédio para sabermos que mudanças ocorrem na gente. Não podemos mudar o mundo, não é?
Beijo com carinho.
Manoel.

CEM PALAVRAS disse...

Juliana,
Salvei seu post no meu note para eu ler, reler, ler novamente.
Passei por uma perda, por um período de negação, ainda estou no luto. Posso dizer que já estou em tons de cinza claro, quase azulado.
Acredito que o próximo passo seja o da aceitação. Fazer o quê? Tenho que aceitar a escolha do outro.
Entendo perfeitamente a teoria. Mas colocá-la em prática é tão difícil.
Lerei seu texto mil vezes, tenho certeza de que ele me ajudará a dar a volta por cima.
Obrigada
muitos beijos

Roseli disse...

Oi Juliana muito boa colocação sobre aceitação. É uma das coisas mais lindas e das mais difícieis de pôr em prática. Por mais elucidados que sejamos, ao nos depararmos com algo ou alguém que muda nossa vida, se afasta de nosso convívio ou perdemos materialmente falando, é barra superar a perda e aceitar sinceramente. Uau! É um trabalho diário a se fazer dentro de nosso ser. Postei algo em meu blog referente ao desafio. Passa por lá. Bjs

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